Do biopoder à psicopolítica

na era da tecnologia, a restrição dá lugar à modulação

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.63451/dti.v2i23.297

Palabras clave:

Biopoder, Psicopolítica, Tecnologia, Poder

Resumen

O presente trabalho analisa a reconfiguração das formas de exercício do poder no contexto do neoliberalismo contemporâneo, partindo da transição do biopoder, característico das sociedades disciplinares do liberalismo do século XX, para o psicopoder, tal como formulado na literatura crítica recente. Enquanto o biopoder operava fundamentalmente sobre os corpos e sobre a vida biológica, por meio de mecanismos disciplinares e de vigilância, o psicopoder passa a atuar de modo mais sutil e difuso, incidindo diretamente sobre a subjetividade, os desejos e os processos inconscientes dos indivíduos. Essa nova racionalidade do poder encontra nas tecnologias digitais, nos algoritmos e no uso massivo de dados pessoais seus principais instrumentos de funcionamento. Diferentemente do modelo panóptico clássico, o controle não se exerce mais pelo confinamento ou pela repressão direta, mas pela exposição voluntária, pela hiperconectividade e pela modulação contínua dos comportamentos, orientada por lógicas de consumo, desempenho e auto-otimização. Nesse contexto, discursos de liberdade, autonomia e realização pessoal ocultam formas sofisticadas de controle psicológico e de autoexploração, contribuindo para a individualização dos sujeitos e para a fragilização da esfera pública e do debate racional. O objetivo do estudo é compreender, em nível teórico, de que modo o uso de tecnologias algorítmicas e de dados pessoais pode ser interpretado como elemento central do psicopoder no neoliberalismo do século XXI, problematizando leituras tecnoutópicas e destacando suas implicações políticas, sociais e subjetivas. Metodologicamente, adota-se o método dedutivo, com abordagem qualitativa de natureza teórico-analítica, por meio de pesquisa bibliográfica e documental.

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Biografía del autor/a

Giulia Dal Berto Hoff, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Mestra em Direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó; Área de pesquisa: Inteligência artificial e tecnologias aplicadas ao Direito, com enfoque no Direito Internacional; Bacharela em Direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó; Tecnóloga em Investigação Forense e Perícia Criminal pelo Centro Universitário Leonardo Da Vinci - Uniasselvi.

Marcelo Markus Teixeira, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Doutor em Direito Internacional Privado pela Universität zu Köln - Alemanha (2011), Mestre em Direito Internacional Privado pela Universität zu Köln - Alemanha (2008). Mestre em Direito e Política da União Europeia pela Università degli Studi di Padova - Itália (2004).

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Publicado

2026-07-10

Cómo citar

HOFF, Giulia Dal Berto; TEIXEIRA, Marcelo Markus. Do biopoder à psicopolítica: na era da tecnologia, a restrição dá lugar à modulação. Direito & TI, [S. l.], v. 2, n. 23, p. 1–22, 2026. DOI: 10.63451/dti.v2i23.297. Disponível em: https://www.direitoeti.com.br/direitoeti/article/view/297. Acesso em: 11 jul. 2026.

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